Mãe de três



Queria iniciar a minha participação no blogue com um texto que me explicasse, não apenas aos leitores, mas a mim mesma.

Tenho 38 anos e sou mãe de três crianças com 9, 7 e 2 anos. Dois meninos e uma bebé.

Apesar de nunca ter brincado com bonecas, sempre quis cuidar de todos à minha volta, irmão, primas, amigas, portanto o dito instinto maternal estava presente.

Para além disso, fui baby-sitter de três crianças (ocupação que adorei) e achava que ser Mãe era basicamente o mesmo.

Pois não é. É bem mais complicado e uma ocupação que não tira férias, nem folgas, mesmo quando deixamos os meninos com os avós… Exige uma dedicação permanente, uma luta contra o relógio, contra o sono, contra a mente que nos impõe descanso e vigília ao mesmo tempo.

No meu caso, acresceram as dificuldades nos partos mas cada mulher é um santuário diferente.

Hoje considero que a vontade de ser mãe partiu do ideal de construir uma família grande, com filhos e filhas, no mínimo três, a entrarem e a saírem de casa com a sua diversidade e riqueza, aspirações e medos…

Quis para mim esse tipo de dinâmica, como na série que adorava em miúda, chamada em português “Quem sai aos seus” (Family Ties, na versão original), em que a mãe era uma espécie de porto de abrigo de toda aquela gente.

Mas nas séries e nos filmes é tudo fácil, não é? Não há noites perdidas, ou se as há duram minutos apenas, e as dificuldades e os dramas quotidianos são cómicos ou irrelevantes.

Na vida real não é assim, pelo menos na minha vida não foi. As necessidades e obrigações cresceram à medida que a família foi aumentando, o trabalho fora de casa nunca diminuiu, e o casamento foi-se perdendo…

Apesar disso, valeu a pena.

Hoje tenho três filhos lindos que adoro e que são a minha riqueza e não consigo imaginar a minha vida sem eles. Mas sei que este amor abnegado que tenho por eles tem limitações físicas e psíquicas e que ninguém é capaz de dar aquilo que não tem e numa determinada altura, com o nascimento da minha última filha, atingi um esgotamento de que talvez possa falar num outro post.

Presentemente, como single mother of three, tenho obrigação de contar aqui, no (In)certezas da maternidade , tudo o que é maravilhoso e doce neste estádio da vida de uma mulher, mas também o lado mais difícil da experiência, os momentos críticos em que vamos abaixo e ajuda lembrarmos uma história parecida com a nossa e projetarmo-nos para a frente. Comigo tem sido assim, cada vez que me sinto fraquejar, lembro-me da minha avó, mãe de sete e de tantas outras guerreiras que conheço.
Por isso contem também com as minhas aventuras e desventuras daqui para a frente.




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