Não tenho vocação nenhuma para
tratar de doenças físicas e tive a sorte imensa de ter três filhos saudáveis.
Acho que o universo, que me conhecia, sabendo disso, conspirou a meu favor. E
não consigo deixar de agradecer todos os dias a minha saúde e a dos meus filhos.
Este fim-de-semana, no entanto, o
meu pirata do meio magoou-se e teve mesmo que usar uma pala, que é como quem
diz um penso no olho para evitar maior lesão da córnea. Estava todo satisfeito,
a dar comida aos animais, quando uma revoada de vento fez entrar poeira no seu olho
e ele já não conseguiu parar de coçar… Já estão a ver o resto da história: olho
ferido e pomada todos os dias durante uma semana.
E é nesses momentos que eu
reflito na quantidade de qualidades que temos que reunir enquanto mães: enfermeira, psicóloga, cozinheira, babysitter, atriz and so on…
Antes do meu divórcio, achava que
tinha que ser boa em tudo e durante imenso tempo tentei sê-lo e quis acumular as
funções todas para ganhar o título de Mãe Perfeita. Hoje sei que esse título é
uma miragem. Somos seres humanos, temos limitações várias, sendo a principal de
todas, o tempo, o tempo livre para educar. Por isso, hoje, a minha solução, uma
vez que continuo a trabalhar fora de casa a tempo inteiro, é delegar: comidinha da avó
Carmo, organização da casa, D. Alcinda, acompanhamento aos desportos, avô João.
E não me sinto mal. Juro que não sinto, sinto-me aliás uma pessoa cheia de sorte e mais capaz para
fazer o que, nesta fase, eles mais esperam de mim: brincar.

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