Depois da Perda, A Gravidez



E pronto, estava novamente grávida. Desta vez fiz tudo ao contrário, e quando comecei a desconfiar, falei logo com a minha mãe. Estava desprendida, pois tinha medo, muito medo que o resultado fosse o mesmo da gravidez anterior. 

Quando comprei o teste foi mais por descargo de consciência, não era possível estar grávida. O período já estava atrasado pouco mais de uma semana. Nesse dia à noite, estávamos nós a ver o Game of Thrones (menção sempre importante no meu ponto de vista), e tive umas dores que se assemelhavam às dores menstruais. Pensei cá com os meus botões “pronto era o período que estava atrasado. Fica o teste para a próxima.” Mas o período não veio. Ora na televisão portuguesa como sabem, o Game of Thrones dava à segunda-feira, e esperámos até à sexta seguinte, para fazer o teste. Na véspera à noite fomos a Viseu, e como o meu marido estava muito cansado por ter trabalho até de madrugada na véspera, fui eu a conduzir até meio caminho. Desunhei-me para chegar ao Pombal… tinha tantooooooooo sono. 

Na manhã seguinte, enchemos-nos de coragem. Tinha comprado daqueles testes que dizem de quantas semanas estamos “grávidos”. Ainda assim achava que não era possível. E a verdade incontestável apareceu naquele ecranzinho: “Grávida +3semanas”. Por incrível que pareça não entrei em pânico. Resolvi ser uma rebelde. Já tinha feito uma mega viagem na véspera que seria repetida no dia seguinte, e pensei: se sobreviveres a estas duas viagens, és o Macgyver.  E tive este pensamento sempre que fazia alguma coisa que aparentemente não devia enquanto grávida, como andar de mota (ainda que uma scooter). Mas vivi esta gravidez de forma completamente diferente. A euforia não a tive. Uma parte de mim estava sempre receosa. Recusei-me a comprar o quer que fosse para o bebé antes dos 4 meses e muito, e mesmo assim, foi com um aperto no coração. 

De resto, levei as coisas com calma (tirando no emprego, altamente stressante, e que às 19 semanas me obrigou a uma passagem nas urgências dado uma carga de nervos). Fomos passando as etapas todas, e a cada consulta em que a médica me dizia que estava tudo bem, ou quando ia fazer aquelas ecografias XPTO (vulgo as trimestrais), eu respirava de alivio… por dois dias. A minha mãe na brincadeira costumava dizer que se eu pudesse fazia ecografias todos os dias… o que era verdade.

Depois houve toda a historia de mudar de país, e de passar o ultimo trimestre de gravidez sem o meu marido ao pé de mim, mas isso é historia para outro post.


Independentemente do resto, até ao parto, eu tive sempre medo que em algum momento, a coisa corresse mal. Tinha medo. Aquele medo profundo que eu penso que só as mães sentem. Aquele instinto protector, que os torna nossos quando ainda têm um tamanho miscroscópico. A  forma como vivi a minha segunda gravidez foi evidentemente influenciada pelo que aconteceu na primeira. E sei que caso engravide novamente ( am I crazy or what?), vai acontecer o mesmo.

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